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ah, esses morangos silvestres

meu casaco rossoPosted by vita evangelista Sun, August 09, 2009 15:40:45
Eu me desfolho inteira em líquidos densos de dentro do meu corpo, transbordo limítrofe, escorrendo pelos vincos vagos desse chão, molhando escadas, madeiras, carpetes, poeira acumulada. me misturo, esparramada. Eu amo e estremeço e ardo e adoeço. Te sugo um olhar vadio que se arrisca por tudo o que se possa haver e um mais, curiosidade infantilizada de um ímpeto cigano em pele branca, urbano berço de riquezas e possibilidades. Descarnada, despida, me disponho. Tou sua, sou tua. Te libero limites, aviões, navios, tubarões, mar aberto, para que você os dilua em seus poros claros e delicados, pingando morno em minha face o sal que você guarda nesse oceano inteiro que existe dentro de você, gotas intoxicadas que não te servem mais de nada. E me delicio, umedecida, estridente grito de estrela, seus olhos claros de lobo, tua mão pianista invadindo audaciosamente cada um dos meus milímetros notáveis, explodindo alto as sinfonias das mais divinas, diluindo manso as dores espasmódicas em litros inumeráveis de sacra quietação celestial. Eu guardo intangíveis como em cara película queimada os sons e gestos do seu corpo, que você distraidamente jorra sem perceber. E me entrego animal, me submeto, sucumbo, numa insaciedade de você que não me reconheço.
você me desalicerça e nem sabe.