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Summertime e Pedro, o Rapaz

meu casaco rossoPosted by vita evangelista Sat, August 08, 2009 16:39:57
Essas flores marcadas em cores transparentes de velhas em estampas silkadas sobre o tecido grosso das poltronas um dia brancas desse salão inabitado, um jardim morto de ilusões, decorado com as mais belas tendências em quadros, velas e mobília e o chão em madeira polida convida a se arrastarem os tapetes, esquecendo leis, repressão, para que se dê espaço a um ballet a dois, cinco ou dez. Que deixemos gritarem as damas antigas da melhor das músicas, que vibremos estas vidraças com sentimento, abramos as janelas, escancaremos as entradas, dressamo-nos à medida que desejarmos, enchamos as taças e demos início a um baile inocente sobre a morbidez deste salão.
Me lembra aquele fim de verão molhado, o cheiro da chuva encharcava a terra quente, as flores gemiam que só se ouve quando quer, quando o rapaz de roupas luminosas me entregou uma folha de seda com nome e sobrenome e endereço e telefone. Virei as costas e andei sem saber o que esperar, amedrontada, apaixonada pela possibilidade de ser, um dia, quem sabe, amada. Se era dia, ou noite, ou sábado, ou o começo de mais uma semana, não notei. Talvez recomeço. Classe trabalhadora definhando em passos largos pelas ruas, frágeis, temendo a chuva, e eu ali molhada, cara borrada, um trago de vida latejante, aparentando cinco ou seis ou alguns tragos passados madrugada afora doendo moribundos, mas me fazendo leeeeve. Eu trago um pedaço dele para dentro da minha casa e releio essa tipografia bonita, agora manchada de tinta preta e amassada no meio quente e suado da minha mão. Eu me despeço em destemor, enrolo um tabaco barato e fumo com o pedaço daquele rapaz sem me importar com o que possa vir em frente. O cheiro da chuva e o sabor primata de se acreditar saber viver.