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A terra estrangeira é terna. Interna. Eterna.

meu casaco rossoPosted by vita evangelista Sun, July 26, 2009 00:54:25

Eu me jogo neste quarto. Tudo o que eu tenho, uma identidade perdida entre todas as cores e texturas das minhas roupas sobre uma mala escancarada. O tapete branco macio de fibras animais insiste em grudar em tudo o que é negro, seus pêlos carentes de toque. São histórias dele. Tudo o que pra ele era passado se mistura agora ao que julguei mais importante de mim e entulhei nesta mala.

No caminho do bem. Os anos setenta muito cariocas, dessa década preta, rangem baixinho num rádio todo branco de sangue e herança genética. E eu entediada, de estômago alto, trago esse Brasil metálico - e uma figa, pra não deixar de ser - num peito além de murcho. É pra ver o que há de vir.

Os meus cigarros yankees aqui cheiram mal, são longelíneos e custam caro. Na loja a vendedora toda indiana me solicita identidade. Aparento menos de dezoito, senhora? Ela sorri e me permite trazê-los mesmo assim. Acho que não. E me pergunta num inglês tão fajuto quanto o meu, de onde é que eu venho. Não existem dúvidas, eu venho do Brasil. E ela me devolve as compras num sorriso seco infectado por todas as regras sociais dolorosas que alicerçam a manutenção do bom e velho tom: It's a beautiful country.

É, it is.