canto das aves
meu casaco rossoPosted by vita evangelista Sat, September 12, 2009 02:57:15Existe uma luz factícia sobre um homem mirrado e à sua sombra, a mulher colossal. Amarelos. As rudes proeminências entre as pernas suspeitosamente femininas são detalhes dispensáveis. Lê os abundantes trechos literários nessa língua absurda. Essa língua é seca. Ele acredita em si mesmo e me convenço. Eu me convenço. Eu me convenço. Eu me convenço. Recomeçam taciturnos a música nauseabunda, bateria que corre e me desentope sem que eu vomite por eles, gritam por mim e me corrompo, adolesço. Liquefaço a tinta dessa caneta e enrijeço com ela, no branco aceso do papel. A tinta sou eu. Fala com a sua garganta. Grita, que transcrevo, que coluro, eu me deito. A sua garganta é o meu leito. Eu amo a sua garganta. O rubor molhado das suas entradas. Sem seu escarro eu sou o nada. Me atura e me molho. Me aceita. Eu sou ela. Eu sou ele. Ou sou menos.
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